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5 mitos sobre saúde mental que parecem verdade mas não são.

  • Foto do escritor: Anna Beatriz Barbosa Dorado
    Anna Beatriz Barbosa Dorado
  • 31 de mar.
  • 3 min de leitura

Você já ouviu que "pessoas negativas atraem doenças", que "liberar a raiva faz bem" ou que "emoções fortes são sinal de fraqueza"? A psicologia tem algo importante a dizer sobre essas crenças, e quase sempre é o oposto do que o senso comum defende.

Esses mitos não são inofensivos. Eles moldam comportamentos, alimentam sofrimento e, em muitos casos, afastam as pessoas do cuidado que precisam. Vamos desmontá-los um por um.


1. "Emoções negativas são ruins e precisam ser eliminadas"

Este talvez seja o mito mais caro, e mais custoso. A ideia de que tristeza, raiva e medo são inimigos a vencer está no coração de muito sofrimento psicológico.

A ciência aponta na direção contrária. A tentativa de suprimir emoções tende a amplificá-las, não reduzi-las. Quando instruídos a suprimir uma emoção, os participantes relataram mais emoções negativas, não menos.


Emoções cumprem funções adaptativas. Elas existem para nos informar, não para nos destruir. O problema não é sentir — é o que fazemos com o que sentimos.


2. "Liberar a raiva (gritar, bater em almofadas) alivia o estresse"


A catarse emocional tem apelo intuitivo enorme. A ideia de "soltar o que está guardado" parece libertadora. Mas pesquisas em psicologia experimental são consistentes: a descarga não regula, ela ensaia.


Brad Bushman (2002), em estudo amplamente citado, demonstrou que pessoas encorajadas a "liberar a raiva" ficaram mais agressivas, não menos. A expressão intensa sem processamento cognitivo reforça o padrão, em vez de extingui-lo.


A TCC e a DBT propõem caminhos mais eficazes: identificar os antecedentes da emoção, reestruturar a avaliação cognitiva e desenvolver tolerância ao desconforto, não dramatizá-lo


3. "Pensamentos automáticos refletem a realidade"


"Ele não respondeu minha mensagem, claramente me odeia." Quem nunca?


Pensamentos automáticos são rápidos, espontâneos e frequentemente aceitos sem questionamento, como se fossem fatos. Mas eles são interpretações, não fotografias da realidade.

Esses pensamentos emergem de crenças nucleares formadas na infância, muitas vezes distorcidas, que filtram a percepção de situações neutras ou ambíguas e as colorem de ameaça, rejeição ou fracasso. A boa notícia: crenças disfuncionais podem ser desaprendidas. É exatamente para isso que a terapia cognitiva existe.


4. "Você precisa entender a origem do problema para se curar"


"Enquanto eu não souber por que sou assim, não consigo mudar." Esta crença mantém muitas pessoas presas em uma busca arqueológica infinita, e paralisadas no presente.


O Protocolo Unificado Transdiagnóstico e a TCC de modo geral demonstram que a mudança comportamental pode, e frequentemente precisa, preceder o insight. Agir de forma diferente, mesmo sem entender completamente a raiz do padrão, cria novas associações neurais e modifica experiências emocionais.


Compreender a origem é valioso. Mas não é pré-requisito para se libertar dela.


5. "Sentir-se triste é egoísmo (ou fraqueza, ou exagero)"


Este mito tem uma origem muito específica: ambientes invalidantes. Crescer em contextos que ignoram ou punem emoções ensina que sentir é errado, um aprendizado que se cristaliza em mitos emocionais que sabotam a regulação emocional por décadas.


Tristeza, medo e vulnerabilidade não são defeitos de caráter. São emoções básicas, biologicamente herdadas, com funções evolutivas claras. Patologizá-las, transformá-las em provas de fraqueza ou egoísmo — é um dos maiores obstáculos ao cuidado com a saúde mental.


O que fazer com isso?


Mitos persistem porque parecem verdadeiros, às vezes durante toda uma vida. Desmontá-los não exige força de vontade: exige informação, questionamento guiado e, muitas vezes, o suporte de um profissional treinado para isso.


A psicologia não tem todas as respostas. Mas tem ferramentas muito melhores do que o senso comum oferece.

 
 
 

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© 2025 por Anna Beatriz Barbosa Dorado, Psicóloga.

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